"Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém,
posso apenas dar boas razões para que gostem de mim... e ter paciência para que a vida faça o resto.

(William Shakespeare)

EU

Desculpem-me se por ventura encontrarem erros por aqui.

Sou um ser em construção, em constante movimento de transformção e evolução.

Sou um ser humano.

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mas vale também comentar e os devidos crédidos dar.

domingo, 17 de abril de 2011

18 de abril - Dia do Livro Infantil

18 DE ABRIL
– DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL-
O Dia Nacional do Livro Infantil foi escolhido pelo ex- presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002, em homenagem ao escritor brasileiro José Bento Monteiro Lobato.
Monteiro Lobato nasceu em 18 de abril de 1882 e foi o criador da literatura infantil no Brasil. Autor de inesquecíveis histórias infantis, entre elas O Sítio do Pica-pau Amarelo, cujos personagens Dona Benta, Visconde de Sabugosa, Pedrinho, Narizinho e Emília, marcaram a história da literatura infantil.

HISTÓRIAS DE TIA NASTÁCIA
Monteiro Lobato

Pedrinho, na varanda, lia um jornal. De repente parou, e disse a Emília, que andava rondando por ali:
— Vá perguntar a vovó o que quer dizer folclore.
— Vá? Dobre a língua. Eu só faço coisas quando me pedem, por favor.
Pedrinho, que estava com preguiça de levantar-se, cedeu à exigência da ex-boneca.
— Emilinha do coração — disse ele — faça-me o maravilhoso favor de ir perguntar à vovó que coisa significa a palavra folclore, sim, tetéia?
Emília foi e voltou com a resposta.
— Dona Benta disse que folk quer dizer gente, povo; e lore quer dizer sabedoria, ciência. Folclore são as coisas que o povo sabe por boca, de um contar para o outro, de pais a filhos — os contos, as histórias, as anedotas, as superstições, as bobagens, a sabedoria popular, etc. e tal. Por que pergunta isso, Pedrinho?
O menino calou-se. Estava pensativo, com os olhos lá longe. Depois disse:
— Uma idéia que eu tive. Tia Nastácia é o povo. Tudo que o povo sabe e vai contando, de um para outro, ela deve saber. Estou com o plano de espremer tia Nastácia para tirar o leite do folclore que há nela.
Emília arregalou os olhos.
— Não está má a idéia, não, Pedrinho! Às vezes a gente tem uma coisa muito interessante em casa e nem percebe.
— As negras velhas — disse Pedrinho — são sempre muito sabidas.
Mamãe conta de uma que era um verdadeiro dicionário de histórias folclóricas, uma de nome Esméria, que foi escrava de meu avô. Todas as noites ela sentava-se na varanda e desfiava histórias e mais histórias. Quem sabe se tia Nastácia não é uma segunda tia Esméria?
Foi assim que nasceram as Histórias de Tia Nastácia.

O macaco e o aluá

Um macaco, uma vez quis fazer aluá, mas estando sem dinheiro para comprar milho...
Narizinho interrompeu-a:
— Que história de alua é essa?
— É uma petisqueira lá do Norte, que se faz de milho. Mas o macaco, que não tinha dinheiro para comprar milho, armou um plano. Foi à casa do galo, onde comprou um litro de milho para pagar em tal dia e tal hora. Foi à casa da raposa, onde comprou outro litro para pagar a tal dia e tal hora — e marcou uma hora,, meia hora depois da hora marcada para o galo. Depois foi à casa do cachorro, onde comprou outro litro de milho para pagar meia hora depois da hora marcada para o pagamento à raposa. E na casa da onça comprou outro litro de milho para pagar meia hora depois da hora marcada para o pagamento ao cachorro.
E muito contente da vida com os quatro litros de milho arranjados a crédito, o nosso macaquinho foi para casa fazer uma porção de alua, que guardou num pote. Depois armou um jirau bem alto e deitou-se em cima, de cabeça amarrada com um pano, como quem está com dor de dente.
Na hora do primeiro pagamento apareceu o galo.
— Então, que é isso macaco? Doente assim?
— Estou que não posso comigo de tanta dor de dente — respondeu o macaco. — Abanque-se e sirva-se do alua aí do pote.
O galo sentou-se e começou a servir-se do alua. Nisto apareceu lá no terreiro a raposa, que vinha cobrar o litro de milho vendido. O galo ficou com a crista branca de medo.
— Não se assuste, compadre — disse o macaco. — Esconda-se ali no cantinho.
O galo foi e escondeu-se. Entra a raposa. O macaco, depois de contar a sua doença, manda a raposa servir-se de alua.
— Coma, coma, comadre, que está ótimo. O compadre galo já se regalou.
— Quê? — exclamou a raposa. — O galo andou por aqui?
— Ali está ele! — disse o macaco, apontando para o cantinho onde o pobre galo se escondera.
E a raposa foi e comeu o galo. Nisto apontou no terreiro o cachorro.
A raposa tremendo de medo escondeu-se num canto. O cachorro entrou, muito amável.
— Pois é — disse o macaco — estou tão doente que nem posso descer da cama. Mas vá se servindo de alua, compadre cachorro. Está muito bom. A raposa comeu de lamber os beiços.
— Quê? A raposa esteve aqui?
— Não esteve, está! — respondeu o macaco, e apontou para o canto onde a pobre raposa se escondera.
E o cachorro foi e comeu a raposa. Nisto apontou a onça no terreiro.
Entrou. Soube da doença do macaco, e também, a convite dele, se serviu do alua.
— Coma, comadre. O cachorro disse que está da pontinha.
— Quê? Esteve o cachorro por aqui? O macaco piscou, apontando o cantinho onde estava escondido o pobre cachorro e a onça foi e comeu o cachorro.
— Bem, macaco — disse ela depois da festança. — Vamos agora ajustar nossas contas. Quero receber o dinheiro do meu milho.
— É boa! — exclamou o macaco. — Pois então a comadre entra aqui, serve-se do meu alua, come um cachorro que tinha comido uma raposa que tinha comido um galo, e ainda tem coragem de querer receber o dinheiro dum litro de milho cheio de caruncho?
A onça, furiosa, deu um pulo para pegar o macaco; mas este saltou do jirau para cima duma árvore e ficou a rir-se da lograda.
— Deixe estar, macaco, que você me paga! — rosnou ela, e lá se foi ruminando a vingança. Chamou as outras onças e combinou que ficariam tomando conta do riozinho que havia ali, de maneira que o macaco não pudesse beber.
O macaco ficou atrapalhadíssimo. A sede veio, e sede é coisa que nenhum animal agüenta. Como fazer? Nisto viu uma cabaça de mel. Teve uma lembrança. Lambuzou-se de mel e rolou sobre um monte de folhas secas ficando transformado no Bicho-Folhagem, que ninguém sabia o que era. E lá se foi para o riozinho, beber água.
Bebeu, bebeu à vontade, bem na vista das onças, que olhavam para aquilo com rugas na testa. Depois de bem saciada a sede, sacudiu-se das folhas e dum pulo alcançou um galho de árvore, gritando para as onças desapontadíssimas: "Piticau! Piticau!..."
— Deixa estar que você me paga! — disse a onça, e pôs-se a imaginar outro meio de pegar o macaco. Abriu um grande buraco, entrou dentro e deitou-se de costas, ficando com a boca arreganhada, como armadilha; e pediu às outras que a cobrissem de folhas secas para que o macaco não desconfiasse.
O macaco veio vindo. Mas ao ver aqueles dentes arreganhados no meio das folhas secas, desconfiou.
— Chão com dentes? Está aqui uma coisa que nunca imaginei. Mas dente de chão há de gostar de comer pedra — e, zás! jogou uma grande pedra dentro da boca da onça.
A onça morreu engasgada e o macaco lá se foi, muito satisfeito da vida.


— Notem — disse dona Benta — que a maioria das histórias revelam sempre uma coisa: o valor da esperteza, da inteligência.
A força bruta, a violência acaba perdendo — e isto é uma das lições da vida.

2 comentários:

  1. Cara jê, parabéns pelo teu blog... Ótimas palavras.

    Att.,
    http://wwwteologiavivaeeficaz.blogspot.com/

    Profº Francisco Netto

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  2. Fui indicada para participar de um concurso na CATEGORIA: Blog Educativo do blog "Papo de Bloqueiras" - http://paponogirassois.blogspot.com/ Se puder...vote em mim, please!!! Entre no meu blog e verá a primeira postagem.
    Conto com seu voto, desde já obrigada.
    Laura Helena

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